O trilho do Forte do Paçó é um percurso pedestre denominado de pequena rota (PR), cuja marcação e sinalização obedecem às normas internacionais. Este percurso situa-se no lugar de Montedor, na freguesia de Carreço, no concelho de Viana do Castelo. O ponto de partida localiza-se na extremidade norte das praias de Começo, onde termina a rua empedrada de acesso à Praia de Formosa.
É de salientar que grande parte deste percurso coincide com o "Percurso Pedestre dos Moinhos de Vento de Montedor". Seguimos por um trilho onde a areia, a terra e a pedra se misturam, contornando os campos de cultivo à direita e um afloramento granítico à esquerda, onde se situam as Gravuras Rupestres de Montedor. Classificadas como Imóvel de Interesse Público, estas gravuras rupestres pré-históricas apresentam motivos zoomórficos (cervídeos e equídeos).
Deixando o mar nas nossas costas, entramos na sombra dos pinheiros que abundam neste local e, subindo pelo caminho lajeado, encontramos as primeiras casas do Lugar de Montedor. Continuando pelo caminho marcado, deparamo-nos com uma laje de pedra onde se localiza outro núcleo de gravuras rupestres: as Gravuras Rupestres da Fraga da Bica. Também classificadas como Imóvel de Interesse Público, estas gravuras apresentam motivos cruciformes, provavelmente estilizando a figura humana.
Seguindo pela Travessa da Bica, viramos à esquerda para a Rua do Bom Sucesso, onde avistamos uma antiga capela denominada Capela de Nossa Senhora do Bom Sucesso. Desta capela restam apenas alguns pares de paredes e a capela-mor em adiantado estado de degradação. Ainda se pode identificar o altar-mor, em pedra, de estilo clássico, e o teto da capela-mor abobadado, também em pedra. Foi fundada em 1692 pelo morgado António Rodrigues de Oliveira. A imagem da Senhora do Bom Sucesso, uma peça escultórica em jaspe do século XVI, encontra-se na Igreja Paroquial.
Continuando a subir a rua empedrada, deparamo-nos com o Farol de Montedor. Foi construído sobre os restos de um povoado castrejo da Idade do Ferro, comprovado pelo aparecimento de vários vestígios de cerâmica, tegula e parte de um moinho manual de grandes dimensões. É o farol mais setentrional do país e entrou em funcionamento a 20 de março de 1910. Possui uma torre quadrangular em cantaria de granito com altura de 28 metros (103 metros de altitude acima do nível do mar).
Virando à esquerda por um trilho de terra batida que penetra num pinhal, encontramos o primeiro moinho de vento em funcionamento: o Moinho do Petisco, de propriedade particular, que em alguns dias podemos ver a moer, com as velas de pano desfraldadas. Aqui conseguimos deslumbrar uma paisagem única sobre o Oceano Atlântico.
Depois de descer as escadas de madeira junto a este moinho, viramos à esquerda por uma rua empedrada. Cerca de 100 metros decorridos, viramos à direita pela Travessa das Velas até desaguar num largo, onde voltamos a virar por um caminho à direita. É neste ponto que os dois trilhos se separam. Enquanto o percurso pedestre dos Moinhos de Vento de Montedor segue por um carreiro de terra batida à esquerda a cerca de 50 metros do largo por onde passamos, o do Forte do Paço segue em frente por este caminho.
Seguindo as marcas de indicação de trilho, entramos numa zona de pinhal onde podemos observar algumas espécies cinegéticas, tais como o pombo-torcaz e o coelho-bravo. Findo o pinhal, começamos a avistar a veiga com os campos de milho, o mar e a Praia do Paço, onde se encontra o Forte do Paço. Trata-se de um pequeno forte marítimo, integrante de uma linha que, à época da Guerra da Restauração, tinha como função a vigilância e defesa da margem esquerda do Rio Minho e da costa atlântica portuguesa. O Forte, localizado sobre a praia, cooperava com os vizinhos Forte do Cão (Vila Praia de Âncora) e Forte da Areosa. Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público