Trata-se de uma pequena rota, com 15 Km e nele se percorre uma zona de montanha, a Serra da Aboboreira, de elevado valor cultural e natural, preservada do progresso urbanístico, por séculos de isolamento geográfico e pela subsequente desertificação humana. Aqui, as gentes, ancestralmente adaptadas a esse ambiente e vivendo em tradicionais casas graníticas de arquitetura vernácula, ainda cultivam a leira à força braçal e animal e onde podemos assistir à moenda do cereal nos moinhos de água. Tal ambiente, calmo e pouco povoado, propicía a existência de nichos ecológicos para variadíssimas espécies da fauna e flora, que aí encontram refúgio. Pelo caminho, o pedestrianista percorre bosques de carvalhos, campos de cultivo sobranceiros às aldeias, zonas de vegetação arbustiva e subarbustiva. Salpicando a paisagem podem observar-se majestosas fragas com formas finamente arredondadas, lembrando silenciosos guardiões da serra. Umas vezes são usadas como apoio amigo que protege das intempéries, pelo que ancestralmente as populações partilhavam com elas o seu lar, construindo as suas casas a elas encostadas. Outras vezes, estes geomonumentos, pela desproporção e ?equilíbrio ameaçador? em que se encontram, inclinadas sobre as habitações, parecem querer recordar ao Homem a sua pequenez e o quanto a sua existência está nas mãos do destino. As construções de pendor religioso enriquecem a paisagem, como é o caso das capelas de S. Clemente, S. Tiago, S. Brás e S. Bento do Pinhão. Durante o trajeto, percorrem-se caminhos antigos ladeados de muros de pedra, muitas vezes escavados na rocha-mãe, por sua vez sulcados pelos rodados dos carros de bois, testemunhas do tempo em que a necessidade obrigava a tirar o sustento de terras pobres e declivosas.