O percurso linear, inicia-se no Coentral Grande, junto ao Largo do Vidoira Imergindo pelo interior da aldeia, ressalta à vista a utilização do granito da Safra no património construido, com algumas cantarias a apresentarem inscrições seculares. Por entre árvores monumentais, sábias guardiãs das memórias dos neveiros. Transpomos a estrada, entrando no caminho murado. Aqui e ali, encrostadas no granito, pequenas alminhas confirmam a importância e antiguidade do trilho. Após as Almas Cimeiras, guardadas por dois gigantes, o caminho estreita. Rodeados por um vasto manto camuflado que floresce a cada primavera, criando uma paleta multicolor divinal, a altitude vai relevando uma vista privilegiada sobre o território. À medida que o trilho faz relembrar a dureza da viagem para cada jornada de trabalho na recolha e acondicionamento da neve, alguns exemplares de carvalho-alvarinho e carvalho-negral anunciam a aproximação ao destino. Junto a curva pronunciada, vestígios de uma antiga mina fundem-se com a natureza. Alcançando o afloramento rochoso e um nível aplanado, com vista magistral sobre o altar-mor da Serra da Lousã e paisagem que se estende para além dele, o bosque denso compõe a cortina que encobre o palco principal, coincidente com o ponto de chegada.