Pelas ruas antigas das aldeias de Covelo, Arca e Paranho, ladeadas pelo casario rural de granito e xisto, encaixadas num dos vales da encosta norte da Serra do Caramulo, onde os habitantes mais velhos ainda usam trajes típicos dos povos serranos, apresenta-se a rota dos caminhos com alma. Tal como o nome indica, valorizam-se as alminhas, motivo de orgulho para os habitantes e sobre as quais ainda hoje relatam histórias de tempos passados.
Da aldeia do Covelo segue-se pelo antigo caminho do sacramento, um vale fértil, com abundância de água, protegido do frio e do vento e onde ainda são visíveis vestígios do trabalho rural.
Protegida pelos carvalhos e castanheiros envoltos pelas ?barbas de velho? (Líquenes plumunária) que pendem dos ramos, surge a famosa pedra ?poisadoira?, envolta em histórias e simbolismo devido à sua ancestral função, de poisar os caixões durante os funerais para descansar e rezar.
Na entrada de Arca surgem casarios maioritariamente de granito e a poucos metros ergue-se o imponente Monumento Nacional Dólmen de Arca. Classificado desde 1910, este monumento megalítico testemunha a remota ocupação humana destas terras.
Não muito longe, atravesse o Carvalhedo da Gândara, considerado como a maior mancha nacional contínua de carvalho-alvarinho (Quercus robur). Com a companhia das árvores centenárias, da sombra e do fresco que delas emana, deixe-se envolver pela paisagem invulgar e faça uma paragem para descansar e desfrutar da natureza e da pureza do ar.
O percurso prossegue por campos, carreiros e caminhos rústicos da aldeia de Paranho. As suas ruas estreitas travam a adulteração das marcas que a caracterizam, mas conduzem, simultaneamente, ao abandono dos residentes.
No alto, destaca-se um miradoiro e a capela de Nossa Senhora da Paz. Não muito longe apresenta-se a igreja do Divino Espírito Santo onde se nota o zelo que as gentes locais lhe têm dedicado.
Em direção ao perímetro florestal de Covelo de Arca, repare no Povoado das Mamoas ? quase oculto. Diz-se que foi neste local que começou a aldeia de Covelo.
Ainda que rodeado de carvalhos e castanheiros, com a descida começam as evidências do Sobreiral. Exemplares raros, alguns contando mais de 200 anos de histórias, elucidam a coexistência de espécies florestais e os resultados positivos da sua preservação.
Não muito longe, a casa florestal e os viveiros abandonados são memória de tempos em que a floresta era fonte de riqueza e de trabalho de um povo.
Pela antiga estrada que ligava São João do Monte a Covelo e por caminhos rurais voltará ao ponto de partida.
Ainda que relativamente longo, a realização deste percurso é aconselhada a famílias com crianças pequenas. Pode ser realizado durante todo o ano mas tenha especial atenção aos meses mais quentes do verão e ao piso escorregadio durante os meses mais chuvosos.
1 - Dólmen
2 - Carvalhedo da Gândara
3 - Miradouro Senhora da Paz
4 - Antiga Casa Florestal