Ao percorrer os recantos deste trilho desenha-se a possibilidade de conhecer o Vale das Inverneiras. O Rio Laboreiro, ao infletir para sul, escava um vale de importância vital para a sobrevivência dos habitantes deste território. Aqui, em locais mais profundos e abrigados, encontram-se as inverneiras, pequenos núcleos populacionais constituídos na sua essência por construções austeras, que serviam de contraponto às brandas (as suas equivalentes estivais localizadas no planalto), permitindo o regresso das famílias e dos seus animais a um clima mais favorável, onde permaneciam de meados de dezembro até meados de março.
Na inverneira da Ameijoeira, localizada mesmo junto à fronteira com Galiza, perto da capela em honra do Senhor da Boa Morte, inicia este percurso. A poucos metros de distância encontra-se o famoso poço do Contador, um dos melhores locais da região para dar um mergulho. Sempre com bastante caudal de água e com muita exposição solar.
Daqui o caminho segue até à inverneira do Bago e leva à Ponte Cavadavelha, na Assureira. A ponte, também conhecida como Ponte Nova, foi originalmente construída por volta do século I e mais tarde, na época medieval, foi adaptada, sendo transformada numa ponte com tabuleiro em cavalete e dois arcos. Desde 1986 é classificada como Monumento Nacional.
Continuando a descer chega-se ao emblemático Aqueduto de Pontes, com cerca de 60 metros de comprimento, destinava-se à rega dos campos da aldeia com o mesmo nome que se situa a 500 metros. A aldeia de Pontes, fruto do êxodo rural e do desaparecimento deste modo de vida de montanha, ficou ao abandono. Hoje, fruto de um projeto de reconstrução, as suas velhas casas transformaram-se para acolher todos aqueles que queiram apreciar a riqueza do património cultural local e aproveitar para descansar e disfrutar da calma em harmonia com a natureza.
Daqui o caminho segue até ao ponto onde iniciou.