Se há um trilho que conta uma história, é este. A Rota dos Mineiros de Argozelo transporta-nos para o passado, guiando-nos pelas marcas deixadas pela exploração mineira e pelas vivências dos homens que aqui trabalharam.
O ponto de partida é o Centro Interpretativo das Minas de Argozelo, um espaço moderno que nos introduz à riqueza do subsolo desta região, onde, desde o século XIX, se extraía estanho e volfrâmio. Ao longo do percurso, percebemos como esta atividade moldou a paisagem e a própria identidade da vila.
Ao atravessarmos Argozelo, somos convidados a apreciar a sua arquitetura tradicional, com casas brasonadas e igrejas que resistem ao tempo. A caminhada leva-nos até à Galeria do Gato, um dos acessos à antiga mina, preservado pela comunidade local. Aqui, quase conseguimos imaginar o som das picaretas e a azáfama dos mineiros que outrora desciam às profundezas em busca dos preciosos minérios.
Deixando a vila para trás, seguimos pelo planalto em direção ao vale do rio Sabor, com os seus horizontes abertos e campos cultivados de cereal, oliveiras, amendoeiras e vinhas. Para quem gosta de um pequeno desvio recompensador, vale a pena visitar o Santuário de São Bartolomeu, um local de silêncio e contemplação, de onde se avistam os sobreiros dispersos pelo terreno.
A descida até ao rio Sabor é um dos momentos mais especiais da caminhada. O vale encaixado oferece um refúgio natural para aves majestosas como o grifo, o britango e a águia-real. Com sorte, é possível vê-las a planar sobre a paisagem selvagem, completando a experiência de imersão na natureza.
O trilho termina na icónica Ponte dos Mineiros, que durante décadas foi a passagem diária dos trabalhadores que dedicaram as suas vidas às minas. Hoje, ao cruzá-la, sentimos um misto de respeito e fascínio por esta terra que preserva, na sua memória e na sua paisagem, a história dos mineiros de Argozelo.
Uma caminhada que não é apenas um percurso - é uma viagem no tempo.