Este encantador percurso pedestre, com início na aldeia de Uva, oferece uma experiência única de conexão com a história, a cultura e a natureza da região. Saindo da aldeia, passamos pelas antigas eiras comunitárias e seguimos por campos de oliveiras centenárias, símbolo vivo da persistência e do trabalho das gentes locais. Continuamos ao lado de campos agrícolas e lameiros onde se destacam enormes freixos, delimitados por muros de fincões cuidadosamente alinhados.
Pelos Trilhos de Mora e o Rio Angueira
Pouco depois, chegamos à pitoresca povoação de Mora, descendo em direção ao rio Angueira. Atravessamos o rio por um pontão de lages de xisto, um vestígio histórico que nos transporta para um tempo em que estas passagens eram fundamentais para conectar aldeias e movimentar pessoas e mercadorias. A paisagem muda, entre matos e campos cultivados, e, já no alto, somos brindados com uma vista deslumbrante do imponente Castelo de Algoso ao longe e a galeria ripícola do Angueira para trás.
O Castelo de Algoso e Vale de Algoso
Ao chegar às proximidades de Algoso, há a oportunidade de explorar o Castelo de Algoso, uma fortaleza medieval estrategicamente posicionada e rica em histórias. Continuando o trilho principal, passamos por Vale de Algoso, uma encantadora aldeia onde ainda se preservam casas de pedra tradicionais, pequenos quintais e o uso de cegonhos para irrigação. Este pedaço autêntico de Portugal rural revela-se uma verdadeira viagem ao passado.
O Retorno a Uva pelo Rio e os Matos Aromáticos
O percurso leva-nos novamente ao rio Angueira, onde atravessamos uma ponte nova junto a um açude pitoresco, ideal para uma pausa num parque de merendas. A parte final do trajeto é marcada pela subida de volta a Uva, através de matos autóctones de esteva e rosmaninho, cujos aromas preenchem o ar, e por hortas e olivais que anunciam a chegada à aldeia.
A aldeia de Uva, no concelho de Vimioso, é um local acolhedor e cheio de encanto, rodeado por pombais tradicionais que são uma marca distintiva da paisagem local. Não deixe de visitar o Centro de Interpretação dos Pombais Tradicionais, situado na antiga escola primária, para compreender melhor a importância destes abrigos para os pombos na vida rural.
Passeie pelas ruas e ruelas da aldeia, onde as casas de arquitetura tradicional em xisto e granito se misturam com currais e palheiros. Converse com os habitantes locais e mergulhe nas histórias, costumes e tradições de uma vida simples e plena de sabedoria.
O sistema ribeirinho do rio Angueira é um exemplo de biodiversidade e riqueza ambiental. A vegetação ripícola, composta por salgueiros, amieiros e freixos, desempenha um papel essencial no equilíbrio ecológico, protegendo o solo, filtrando nutrientes e criando habitat para inúmeras espécies.
O pontão de lages de xisto, um marco deste percurso, é um testemunho da engenhosidade de outros tempos. Construído com recursos locais, serviu como elo de ligação entre caminhos tradicionais, garantindo o transporte de pessoas e bens numa era em que o rio era uma barreira natural.